07/03/2018

III DOMINGO DA QUARESMA | ANO B

Jesus nos ensina a não fazer da nossa religião um comércio, não adotar com Deus o sistema de dar para receber em troca alguma graça. Deus não se compra nem se vende.

III DOMINGO DA QUARESMA | ANO B
 4 de março: III Domingo da Quaresma 

1ª leitura: Ex 20,1-17
2ª leitura: 1Cor 1,22-25
Evangelho: Jo 2,13-25
 
A Liturgia nos conduz neste domingo aos pés do monte Sinai, o lugar da manifestação mais grandiosa na história do povo de Deus. Também nós como povo peregrino no deserto e desejoso de chegar à Terra Prometida, temos necessidade de escutar de novo a voz de Deus, para que nossa caminhada tenha uma direção certa e alcance a meta. Qual é a meta que a Palavra de Deus nos indica? “Eu sou o Senhor, teu Deus”. Somos chamados a estar na presença de Deus, a permanecer com Ele. Morar com Deus é a mais alta possibilidade que temos de existir. A Palavra nos indica também a direção a seguir para chegarmos à meta: reconhecer que Deus é o Senhor de nossa vida e viver na presença dele. Desta forma, não podemos deixar de agir como Ele mesmo age em nós: com amor, delicadeza e liberdade. Não dominando, não explorando, não possuindo, não erguendo a mão para ferir e tirar a vida. Esse é o sentido do Decálogo que Jesus reeditou, resumindo-o nos dois mandamentos, do amor a Deus e ao próximo.
 
Paulo está comparando a sabedoria do mundo com a sabedoria de Deus. Aos olhos do mundo, a sabedoria de Deus parece loucura, porque nos planos divinos o mundo deve ser salvo pela Cruz. Essa escolha vai contra a lógica do pensamento humano. Mas os caminhos do Senhor não são os nossos caminhos, por isso temos de mudar não só nosso modo de agir, mas também nosso modo de pensar. O apelo quaresmal “Convertei-vos!” significa também mudar de mentalidade.
 
O gesto audacioso de Jesus de expulsar os vendilhões do templo pretende contestar o esquema religioso comercial que estava na base de uma longa tradição popular, que tinha transformado a Casa de seu Pai, o Templo de Jerusalém, em um mercado. Jesus anuncia uma mudança radical, que supera uma mentalidade que infelizmente perdura até hoje em muitos cristãos. O verdadeiro Templo da morada divina entre os homens não é mais um lugar material onde se pode comprar a salvação, mas é o lugar teológico da própria Pessoa do Salvador, que doa gratuitamente a salvação a todos os que nele creem.
 
Jesus nos ensina a não fazer da nossa religião um comércio, não adotar com Deus o sistema de dar para receber em troca alguma graça. Deus não se compra nem se vende e Ele é de todos.
 
Jesus não tolera aquilo que encontra ao redor do Templo, sem referência à adoração, mas com aspecto de comércio, de compra e venda, de exterioridade que sufoca a dedicação do coração. Seu gesto prefigura a dissolução do Templo de pedras e a edificação de um outro Templo que é Ele próprio, sua Pessoa, seu corpo que, destruído na Paixão e na morte, ao terceiro dia haveria de ressuscitar. Com Jesus o culto antigo desmorona envelhecido e ultrapassado. Surge uma nova ordem de coisas, a ordem do Espírito e da Verdade, que hoje recebemos pelos Sacramentos e pela Liturgia da Igreja que têm valor, não como coisas materiais, mas como sinais eficazes e instrumentos da doação e da graça que é Jesus.

 

                                                  

 

 


Autor: Padre José Raimundo Vidigal, C.Ss.R.


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