Campos do Goytacazes (RJ), 11 de outubro de 2026

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23 set
Imagem: internet

Conjugalidade Eucarística – o amor divino e o amor humano entrelaçados!

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Não há amor mais sagrado do que a Eucaristia, entrega absoluta de Jesus Cristo por todos nós! Não há amor humano mais sagrado do que o de um homem e uma mulher que, revestidos em Cristo pelo Sacramento do Matrimônio, se tornam uma só carne pelo Espírito Santo. Nesse sentido, há uma relação mística e maravilhosa entre o amor-Eucaristia e o amor-Conjugal. A intimidade do casal, vivida diante do Senhor, irradia de certa forma a força do amor que irradia da Eucaristia. Quando se amam, na entrega amorosa e respeitosa, íntegra e responsável, prazerosa e unitiva, os casais cristãos fazem de seu quarto uma capela, e de seu leito conjugal um verdadeiro altar! No recinto sagrado do quarto, acontece um ritual litúrgico…

O Rito de Entrada os prepara pela acolhida um do outro, pelo aceno amoroso de que vai caminhar juntos e juntos viver o clímax do amor. A conversa informal, o sorriso, a abertura do coração, o toque, a oração… juntos eles vão ouvir e viver a Palavra de Deus – “não são mais dois, mais uma só carne”. A mulher, casa arrumada para o amor comunhão anseia pela chegada do homem – seu homem – companheiro de jornada, que vem até ela para juntos cearem o dom da vida. Ali, na acolhida do amor, cada um é único e insubstituível. Foram dados um ao outro pelo amor de Deus, pelo dom da vocação matrimonial, pela liberdade amorosa da escolha. Por isso mesmo, ao se acolherem, eles se perdoam, pelo olhar da misericórdia fazem do silêncio do quarto um confessionário da intimidade, e só assim, despidos na alma, sem amarras, mentiras ou medos, e que poderão ser únicos, mesmo sendo dois. Talvez seja apenas uma troca de olhar, ou uma palavra breve de benção, mas será a força de Deus presente antes do ato do amor que evitará que “durmam na mesma cama, mas não durmam nos mesmos sonhos, e que de manhã, colados entre si, se encontrem cada vez mais afastados”.

E então acontece a Palavra… quando Deus fala seu povo escuta e acolhe! Existe diálogo, comunicação, e só então, vem a graça. Por isso o casal-eucarístico faz uso da palavra para ser unir mais completamente. Falam e escutam-se mutuamente, numa sequência de sons que precisa expressar o que se passa no coração. Para a tradição judaica, o sexo sagrado vem acompanhado de palavras. Ter relações sem expressar intimidade no diálogo torna o ato um gesto animalesco. “Na tradição cristã, todo gesto sacramental vem acompanhado de palavras. O sexo se torna sacramental quando é acompanhado por palavras de ternura, de amor, de amizade e confiança. Quando falam boca e coração, então o sexo cristão se torna verdadeiramente humano e sagrado”.

E a palavra gera o ofertório da vida, e tudo o que o casal tem, tudo o que ele é, todas as suas belezas e desafios se tornam a matéria prima da comunhão que em breve acontecerá. Quem não se doa totalmente ao outro, o casal que se preserva por medo ou por vergonha, precisa antes despir-se das amarras humanas para compreender a beleza do amor em Deus. Um se apresenta ao outro, se deixa tocar, afinal no amor não só os olhos é que enxergam, mas todo o corpo é capaz de iluminar-se em visão. A intimidade, o carinho, o toque… no casamento, entre dois que se aliançaram no Espírito, são carinhos e toques que exprimem a verdadeira castidade. O homem toca a mulher e recorda-se de Adão – “essa sim é carne de minha carne, osso de meus ossos”. Tudo leva ao exercício da igualdade entre os diferentes, onde cada um é diferente, mas se tornam únicos na entrega. Oferta-se tudo, sem receios… “a cortina do Templo se rasga” quando do sacrifício de comunhão de Jesus. No amor do casal as roupas são retiradas, pois a comunhão exige despir-se de si. Não há mais separação entre Céus e terra. O sagrado envolveu o profano, e o santificou!

E eis a comunhão… “tomai e comei”, nos diz Jesus em cada missa. É uma entrega total, sem amarras ou medos, é verdadeira comunhão. Jesus-Eucaristia, alimento da vida, nos transforma Nele, quando dele nos aproximamos e o comungamos. E amor infinito! A comunhão conjugal reflete esse mesmo amor, quando vivido dentro da Aliança feita no Espírito Santo. Homem e mulher se comungam santamente, porque santo é o dom do amor que Deus fez neles acontecer. Não há ali nenhum resquício de pecado se não houver nenhum desejo de posse ou de dominação. A comunhão os torna “uma só carne” também na carne física. O caminheiro entra na casa de sua amada e a preenche. Ela de abre para recebê-lo e oferecer a ele acomodação alegre e prazerosa. O tempo para, as palavras viram sussurros, o amor gera calor, suor, arrepios… o coração bate mais forte, os abraços se intensificam e há um retorno momentâneo, efêmero ainda que intenso, ao Paraíso perdido, a vivência da bênção que “não foi abolida nem pelo castigo do pecado original nem pela condenação do dilúvio”. O corpo é doado mutuamente, e ali, no leito conjugal temos a comunhão trinitária do sacramento – Homem/Mulher e Deus! Nada mais sagrado, nada mais bonito, nada mais frágil…Devagar vai-se deixando o coração acomodar em um hino de ação de graças pelo que acaba de ser vivido. Um sentimento de despedida, um “até logo” já saudoso paira sobre o leito do amor. O casal deixa-se ficar um com o outro em silêncio, feliz pelo encontro e pleno da certeza da escolha feita no amor. Como Deus é bom em ter me dado esta pessoa como companheiro/a. Louva-se o Senhor pelo dom da vida. “Para enfrentar as tantas quedas e durezas da vida, Deus concedeu ao casal o frescor da comunhão do amor. O leito conjugal cristão é puro porque é sinal de sintonia espiritual. Ali, a castidade e a pureza reinam, porque brota antes do coração o amor que os une como marido e mulher”. E mesmo quando a vida impõe limitações físicas ao amor-união sexual, deve-se recordar que é possível descobrir sempre formas novas de amor. Envelhecer ou adoecer não tira de ninguém a capacidade de amar!!!

Por isso tudo, pela beleza do que acabamos de viver, é que entendemos o porquê de uma tristeza humano-cristã profunda diante de encontros desprovidos de amor-sacramento. São jogos vorazes e individualistas, onde não há comunhão, mas usurpação. O matrimônio será sempre um tesouro carregado em vasos de barro. E mesmo este só será completo se antes dele o casal souber colocar o amor a Deus (Jo 4,14). Somente em Deus a comunhão-eucaristia-matrimônio é experiência que me traz o Céu ainda aqui na terra. Amém!

Fonte: Pe. Evaldo César de Souza, CSSR

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